É sexta feira e fui ao dentista. Tenho a boca totalmente dormente e algumas dores, falo com muita dificuldade e já comia alguma coisa, se conseguisse. O dia começou às 7 e já vai longo. Faço um rewind, não me esqueci de nenhum miúdo na escola, não deixei passar nenhum ensaio de coisa nenhuma, não deixei a chave dentro do carro. Afinal esqueci-me de responder a uns quantos e-mails e de procurar sapatilhas pretas para o pequeno. Haviam de ser sapatos, como um verdadeiro menino de coro, mas lamento, senhores da música, terão que ser sapatilhas pretas mesmo.
Apanho o pequeno D. na escola e seguimos viagem. Antes ainda, parece-me uma bela ideia que compremos uma flor para a mãe, uma flor é sempre uma bela ideia. Usualmente conversamos muito, sobre o dia, sobre os animais de estimação que ele gostaria de ter, sobre o avô, sobre o mundo dos outros em geral e do seu em particular.
Já chegámos e a sala está fria, quero muito ficar confortável, mudar de roupa, tranquilizar.
Entram em furacão, como quase sempre, têm muito que conversar uns com os outros, as energias estão ali, mesmo à minha frente, diferentes, únicas, especiais. Devagar entramos em sintonia, respiramos com calma, ouvimos os sons à volta, os sons daqui e dali e e os sons cá dentro. Os mais importantes.
Pára tudo que francamente, francamente mesmo, eu não sei de onde vem esta magia, esta paz, que às vezes dura mais, outras vezes dura muito pouco, mas vem sempre. Está um cheiro maravilhoso a lavanda no ar, a luz está baixinha e é sexta feira. Hei-de chegar a casa em breve. Foi um dia muito bom.